Bolsa despensa e dólar vai a R$ 4,17 depois de decisão do STF que possibilitou soltura de Lula

O Ibovespa fechou em queda e o dólar subiu nesta sexta-feira (8) com o mercado repercutindo a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da prisão em Curitiba.

O principal índice da Bolsa brasileira cedeu 1,78%, para 107.628 pontos. O volume financeiro foi de R$ 20,2 bilhões.

A Bolsa estava em queda desde a abertura do mercado, mas intensificou a baixa por volta das 16h30, quando o juiz Danilo Pereira Jr. aceitou o pedido da defesa de Lula para libertar o petista. Em seguida, atingiu a mínima intradiária de 107.126 pontos (-2,24%).

Na semana, o Ibovespa acumulou baixa de 0,72%, interrompendo uma sequência de quatro altas semanais.

Já o dólar comercial, que subia desde a abertura do pregão, também intensificou a valorização no fim da tarde com a notícia sobre o ex-presidente Lula.

A moeda fechou em alta de 1,83%, para R$ 4,1677 na compra e R$ 4,1684 na venda. Na semana, houve valorização de 4,43% — a maior alta semanal desde o período entre 20 e 24 de agosto de 2018. O dólar também interrompeu uma sequência de duas altas semanais.

O dólar futuro com vencimento em dezembro teve alta de 1,58%, para R$ 4,168.

A decisão sobre a soltura de Lula também influenciou o mercado de juros futuros. O contrato de DI para janeiro de 2021 fechou estável a 4,55% e o DI para janeiro de 2023 teve ganho de 0,71 ponto-base a 5,68%.

Repercussão

Carlos Daltozo, diretor de renda variável da Eleven Financial Research, afirma que o movimento da Bolsa após a soltura de Lula é uma volatilidade de curto prazo motivada pela especulação. Para ele, já era amplamente esperada a liberdade do petista depois da decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF).

O que estruturalmente há de negativo em todo esse cenário, de acordo com o analista, é a insegurança jurídica provocada pelo Supremo. “Traz insegurança o STF votar de uma maneira diferente a cada ano. Isso afugenta o investidor estrangeiro. O que pesa mais é essa questão, pois era inevitável a soltura depois do julgamento”, avalia.

Daltozo entende que não é possível prever ainda o impacto político da decisão. “Pode mudar algo para as eleições municipais do ano que vem, mas ainda é cedo para dizer. Há muita precipitação”, defende.

Para Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante, a maior surpresa da soltura de Lula fica para os investidores estrangeiros.

“Ele [o estrangeiro] não entende como uma pessoa condenada em duas instâncias pode ser solta. Se até agora o estrangeiro não tinha entrado na Bolsa, mesmo com a reforma da Previdência, isso pode retardar ainda mais essa volta”, disse.

A soltura do ex-presidente, segundo Guimarães, cria uma “insegurança jurídica e sentimento de impunidade. O fluxo de capital estrangeiro na Bolsa está negativo em US$ 1 bilhão. Pode piorar. Antes, não tinha nenhum vento a favor. Agora, tem um vento contra.”

Para Felipe Berenguer, analista político da Levante, a decisão de soltar Lula muda a conjuntura política, mas ainda é muito cedo para dizer se haverá algum impacto na agenda reformista do governo.

“A tendência é que haja uma polarização maior agora. O presidente Jair Bolsonaro pode ganhar força entre as pessoas que têm discurso anti-petista, e ele deve usar isso a seu favor. Do outro lado, a oposição, que estava apoiada no discurso Lula Livre, agora vai se reorganizar para fazer mais pressão no Congresso.”

O analista político acredita que as eleições municipais do ano que vem serão um bom termômetro disso. “Os partidos se organizam muito em sedes regionais. É importante ganhar força regionalmente para só então pensar na corrida pelo Planalto em 2022.”

Fonte: Infomoney

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