Marinha do Brasil e USP fabricam respirador de baixo custo para tratamento da covid19

Parceria entre a Marinha do Brasil e a Universidade de São Paulo (USP) possibilitou a fabricação de dez respiradores de baixo custo, para utilização em tratamento de pessoas com Covid-19. Denominados Inspire, os aparelhos foram entregues ao Instituto do Coração de São Paulo (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP na quinta-feira (16/07) e alguns já estão operando.

O Inspire foi desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) no Centro Tecnológico da Marinha, em São Paulo (CTMSP), durante quatro meses de trabalho. O equipamento pode ser produzido em apenas duas horas.

Conforme informa o Centro de Comunicação Social da Marinha, o maior diferencial desse ventilador pulmonar é o seu funcionamento por meio de bateria. “Ele possui um nível de controle computacional extremamente sofisticado, baseado em uma bomba independente chamada “ambu” (ressuscitador de uso manual, normalmente utilizado em ambulâncias)”, afirmaram. A instituição explica, ainda, que foram feitas algumas modificações funcionais dessa bomba, para que ela passasse a ser pressionada de maneira automatizada e controlada. Diferentemente dos respiradores do mercado, o equipamento independe de uma linha de ar comprimido, normalmente disponível em hospitais, possibilitando o seu uso em caráter emergencial.

O Coordenador do Projeto Inspire, professor Marcelo Zuffo, diz que a USP e a Marinha têm uma colaboração conjunta de mais de 65 anos, sendo a mais longeva e também recíproca. Ele explica que o submarino nuclear produzido pela Força Naval contribuiu para a criação do Inspire. “A Marinha se especializou na fabricação de equipamentos de extrema precisão, atrelados ao programa do submarino nuclear. Por incrível que pareça, há uma similaridade muito grande desses equipamentos com ventiladores de suporte à vida. São muito parecidos, apesar de terem propósitos diferentes”, explicou. Ele acrescentou que vários subsistemas dos submarinos usam sistemas pneumáticos muito parecidos com o Inspire. “A USP e a Marinha tem uma tecnologia comum e quando a gente pensou na manufatura em escala do Inspire, a Marinha era nosso parceiro natural”, completou o professor.

Nesse momento de pandemia, o Inspire visa atender a população brasileira e difundir o ventilador pulmonar onde houver necessidade, principalmente pela possibilidade de ser utilizado em atendimentos generalizados e em locais inóspitos. “Nosso objetivo maior é que pessoas não venham a falecer por falta de ventilador pulmonar”, reiterou o professor Marcelo Zuffo.

A diferença entre o Inspire e os respiradores convencionais é que esses foram desenvolvidos para terem uma ampla versatilidade de modos respiratórios. Possuem muitas possibilidades de regulagem, que atendem não só a Covid-19 como em diversas outras situações. Já o Inspire foi planejado e projetado para atender preferencialmente os casos de Covid-19 e realizar atendimentos emergenciais, como em situações adversas e lugares isolados. Dessa forma, é um equipamento simples, com peças fáceis de serem encontradas no mercado brasileiro, de baixo custo, mas com todas as facilidades operacionais de um respirador comum.

A parceria entre a USP e a Marinha do Brasil no projeto Inspire ocorre não só por dispor do centro de pesquisa, mas também porque, futuramente, poderá viabilizar o apoio logístico. Ou seja, a Força tem a capacidade de possibilitar o acesso ao equipamento de parte da população brasileira que se encontra em locais de difícil acesso.

Operação Covid-19
O Ministério da Defesa ativou, em 20 de março, o Centro de Operações Conjuntas, para atuar na coordenação e no planejamento do emprego das Forças Armadas no combate ao novo coronavírus. Nesse contexto, foram ativados dez Comandos Conjuntos, que cobrem todo o território nacional, além do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), de funcionamento permanente. A iniciativa integra o esforço do governo federal no enfrentamento à pandemia.

As demandas recebidas pelo Ministério da Defesa, de apoio a órgãos estaduais, municipais e outros, são analisadas e direcionadas aos Comandos Conjuntos para avaliarem a possibilidade de atendimento. De acordo com a complexidade da solicitação, tais demandas podem ser encaminhadas ao Gabinete de Crise, que determina a melhor forma de atendimento.

Fonte: Ministério da Defesa

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