Estrategista garante que voto em Barison é a única maneira de evitar reeleição de Cinthia

Por Pablo Carvalho e Marco Antônio Gama

O Portal Novo Norte entrevistou o publicitário João Aguiar, um dos mais reconhecidos profissionais do marketing político no Tocantins, para falar sobre os desafios da corrida eleitoral de 2020 em Palmas.

Dono de uma carreira sólida, João Aguiar tem 30 anos de atuação no marketing político em mais de 600 campanhas eleitorais. Trabalhou para candidatos em seis estados da Federação, com média de sucesso de mais de 75%. Foi responsável pela eleição de dois governadores (Marcelo Miranda e Mauro Carlesse), além de ter comandado a Secretaria de Estado da Comunicação em duas ocasiões. Escreveu 6 livros e também é palestrante.

Atualmente, João Aguiar é estrategista das campanhas de Saulo Miranda (Miracema), Celso Moraes (Paraíso), Ronivon (Porto Nacional) e Barison (Palmas).

Que leitura você faz da corrida eleitoral em Palmas?

João Aguiar: Palmas é uma cidade totalmente diferente. São doze candidatos, cada um com a sua própria leitura de uma mesma pesquisa qualitativa. Todos os candidatos sabem que Palmas quer desenvolvimento e geração de emprego. A única coisa que os outros candidatos não perceberam é que o palmense não quer políticos tradicionais e não quer pessoas com laços familiares na política. Isso é o que inviabiliza nomes como Wanderley Barbosa, Eli Borges, Junior Geo e Vanda Monteiro. Já o Marcelo Lellis acaba sendo percebido como alguém que já teve sua chance e o povo não o quer mais. Às vezes é difícil para o cidadão separar o joio do trigo porque é muita gente concorrendo.

Temos em Palmas uma grande quantidade de candidatos a prefeito. O novo gestor pode acabar sendo escolhido por uma parcela que não representa a maioria absoluta do eleitorado. Na sua visão, qual é a consequência disso?

João Aguiar: Eu acho isso perigoso, porque você pode ganhar e deixar uma insatisfação generalizada na população. Isso pode afetar a cidade pelos próximos dez anos. É como se você fosse escravizado: você continua comendo, você continua fazendo as coisas, mas com total insatisfação. É a diferença entre o PIB (Produto Interno Bruto) e a FIB (Felicidade Interna Bruta). Nós teremos uma cidade de infelizes, porque nós não tivemos aquilo que esperávamos ter. Nós temos um cenário onde as pessoas não querem a reeleição da Cinthia, da atual prefeita. Mas preferem se calar e se agachar do que levantar o olho pra ver se tem alguma coisa diferente para escolher.

O palmense quer continuidade no comando da Prefeitura de Palmas?

João Aguiar: Dá pra sentir nas ruas que as pessoas não querem. Hoje, se somarmos todas as intenções de voto nos candidatos opositores da prefeita com os que nem sequer pretendem ir na urna votar teremos mos um total de quase 72% do eleitorado. São pessoas que não estão interessadas em votar na Cinthia Ribeiro. Estes eleitores ainda não conseguem discernir quem é quem no cenário, Por que? Porque todos  os outros tem perfis iguais. Menos o Barison. A nossa aposta é que o Barison é o único que não é político tradicional. Aliás, nunca tinha se lançado candidato. É um pioneiro da cidade, é um empresário bem sucedido, gera empregos. Este é o grande diferencial dele.

Hoje, se somarmos todas as intenções de voto nos candidatos opositores da prefeita com os que nem sequer pretendem ir na urna votar teremos mos um total de quase 72% do eleitorado. São pessoas que não estão interessadas em votar na Cinthia Ribeiro.

João Aguiar, estrategista político.

É possível reverter o cenário apontado pelas principais pesquisas eleitorais?

João Aguiar: Perfeitamente. Nesta reta final da campanha o cidadão começa a ficar em estado de atenção elevada. Na publicidade comercial, é quando o consumidor está a fim de comprar uma geladeira e começa a prestar atenção em panfleto de geladeira, fotografia de geladeira, cartaz de promoção da geladeira. Então ele fica em estado de atenção elevada, pronto pra comprar o produto que deseja. Assim está o eleitor de Palmas hoje: ele está pronto pra votar, nós precisamos quebrar essa bolha onde estão todos os demais candidatos. A diferença é que o Barison é único que tem teto para crescer, todos os demais são limitados em seus eleitorados.

Uma união entre concorrentes seria a melhor saída para evitar a reeleição da prefeita?

João Aguiar: Esta é uma discussão que já levantamos internamente. Resolveria juntar as oposições em torno do Tiago Andrino? Não, não resolveria. Porque, apesar de o Amastha ser lembrado como o melhor prefeito de Palmas, não é esse Amastha. As pessoas lembram de um personagem que o Amastha criou na campanha. Então, quando as pessoas dão de cara com esse Amastha real e o comparam com o personagem Amastha criado há um conflito. Pensam: “não é esse”. Há um conflito entre o que eu imagino e aquilo que eu vejo. Por isso foi uma estratégia errada ter colocando o nome de Tiago Amastha, porque achou que o nome por si só já ia ganhar a eleição. Não é bem assim que funciona.

E se quem desistisse fosse o Barison para apoiar qualquer outro candidato?

João Aguiar:  Adiantaria o Barison desistir de uma candidatura para apoiar alguém? Não, não adiantaria. Não resolveria, porque seria o Barison se estragando num cenário de políticos tradicionais. Adiantaria apoiar o Marcelo Lelis? Adoro Marcelo Lelis, figura fantástica. Não, porque as pessoas vão questionar e já estão questionando que a mulher dele é deputada, foi vice-governadora, ele foi vereador, foi deputado. Por que que ele não fez? Então seria como pegar uma água boa e jogar numa água ruim. Assim com a Vanda Monteiro, assim com o Eli Borges, assim com os demais. Não resolveria… Não é o Barison que tem que se juntar a alguém. Aí você pergunta: mas e se eles desistissem e se juntassem ao Barison? Não pode também. Por que? Porque as pessoas não iam interpretar bem isso, ia acontecer o que aconteceu com o Marcelo Lelis quando ele recebeu todo o apoio da família Siqueira. Palmas tem o maior respeito pelo Siqueira, mas não quer ele de volta. Ao contrário do Tocantins, que se o Siqueira for candidato milhões de vezes vai ser eleito milhões de vezes. Mas Palmas é diferente.

Então qual é a solução?

João Aguiar: A única forma seria abrir brecha, todos os outros saírem da frente para o Barison. Aí ele ganharia com 70% dos votos. Aí sim o eleitor teria percebido como ele é diferente. Se juntar com alguém ele vai sumir em meio aos outros. Então, a única alternativa para Palmas hoje é o Barison conseguir romper esta bolha.

Por que Barison seria o único candidato que pode vencer Cinthia?

João Aguiar: É o único candidato que não tem teto. Por que que não tem teto? Porque não tem rabo preso, ele não tem que justificar nada. O Eli tem que justificar, ‘nossa cê tá ai a 28 anos em política, e tá pedindo chance de novo’, entendeu? O próprio Júnior Geo, quando você pergunta se ele consegue administrar o cara responde “eu estudei muito”… Estudar muito, ser um excelente professor como é o caso dele, pra uma escola seria ótimo, agora para administrar uma prefeitura é outra coisa.

Portal Novo Norte: O eleitor de Palmas consegue perceber isso?

João Aguiar: Nós temos essa característica. O eleitor de Palmas não tem o mesmo perfil do eleitor do Tocantins. Foi o que enfrentamos na eleição do Mauro Carlesse contra o Amastha. A questão era quem era igual e quem era diferente. O Carlesse era um diferente igual, porque ele era um diferente com a cara do povo. Falava errado, falava como o povo fala. Isso facilitou a trajetória.

A questão hoje é acertar na frequência, encontrar sintonia com essa população que não encontrou ainda o candidato ideal. E por que não encontrou? Porque são doze caras! Se fosse cinco, quatro, Barison já estava  com 70% dos votos. Porque ele é o modelo desejado. Um cara que sabe gerir, sabe fazer asfalto de qualidade com um terço do valor, porque já faz isso nos condomínios dele. Consegue fazer o tratamento de água e esgoto custando um terço do valor que a BRK cobra. É um cara que já faz.

Como o povo de Palmas tem percebido o Barison?

João Aguiar: Nós fizemos um teste com sessenta pessoas nas ruas. O resultado foi 92% de aceitação. As pessoas conhecem o Barison pelo IOB (Instituto de Odontologia Barison) que foi o primeiro de muitos empreendimento dele em Palmas. O povo sabe quem é mas não sabe que ele é o candidato a prefeito. A pessoa logo pensa: um empresário com trinta anos de atividade que não tem uma ação trabalhista, ou ele sabe administrar pra caramba, ou ele é gente boa pra caramba, ou as duas coisas!  O cenário é esse: quando você mostra o Barison as pessoas olham pensando que é um político comum e viram o bico. Quando ele explica quem é, o cara volta e aceita. Há uma tendência natural a essa virada, essa transformação de pensamento. O que nós precisamos é só unir as pontas. É  o único trabalho que nós precisamos fazer hoje.

Como a Pandemia e as restrições estão influenciando no andamento da campanha eleitoral em Palmas?

João Aguiar: Na verdade, a campanha começou agora. A campanha começou essa semana. E quando começou a movimentação, parece que acabou a doença. Junta gente, dança na rua, faz qualquer coisa. Então, para este processo político nós criamos a estratégia de fazer uma corrente humana. Ela é silenciosa. Você não vê movimentação porque você fala com dez pessoas, não com mil. São dez pessoas engajadas todos os dias em grupos fechados que interagem com aproximadamente outras doze mil pessoas, daí ocorre a multiplicação. É a nossa aposta. A virada vai acontecer na urna. Não estamos confiando nos veículos de massa apenas. As redes sociais são importantíssimas, mas não são tudo, sob o risco de cairmos na vala comum. Você precisa dessa bolha, mas precisa também construir uma ramificação fora do universo virtual.

Como você avalia as ações da gestão atual na Pandemia e os impactos na saúde e economia da capital?

João Aguiar: Em Palmas não precisava ser tão radical. A Cinthia acompanhou o raciocínio de São Paulo, do PSDB, que é um pensamento socialista. Aqui tinha somente um caso quando ela fechou tudo. Fechar tudo significa demitir pessoas, significa pessoas passando fome. Ela (Cinthia) demitiu. Nós estamos num lugar que era um restaurante. Só aqui ela demitiu mais de trinta pessoas. Foram mais de dez mil pessoas da noite ou do ramo da gastronomia e bares que foram demitidos. Ela não tem noção administrativa. Não é culpa dela, ela caiu de paraquedas nesse cargo, pois as pessoas votaram no Amastha e receberam a Cinthia. Agora, é perigoso votarem na Cínthia e receberem o André Gomes. É um processo político natural, é uma estratégia do jogo. Então, ela fez tudo errado, e agora quer fazer de novo. E as obras? A forma que estão sendo feitas para parecer que está fazendo é muito perigoso. A aposta foi errada, tanto é que aumentou o número de pessoas que não querem votar nela. A população não é idiota, não dá pra fazer esse jogo mais. 

Ela não tem noção administrativa. Não é culpa dela, ela caiu de paraquedas nesse cargo, pois as pessoas votaram no Amastha e receberam a Cinthia. Agora, é perigoso votarem na Cínthia e receberem o André Gomes.

João Aguiar, estrategista político.

Quais são suas considerações finais?

João Aguiar: É uma satisfação muito grande poder falar com vocês do Portal Novo Norte e dizer todas essas coisas. Eu acho que os políticos que querem o bem de Palmas devem avaliar o que Palmas quer e o que Palmas precisa. Para fazer a campanha de alguém eu primeiro preciso acreditar na pessoa. Eu olho a pesquisa qualitativa e vejo quem é que se encaixa no ideal da cidade e no pensamento das pessoas. Por isso, eu defendo e acredito no Barison. Ele é extremamente capaz nesse processo de transformação e nunca foi político. Acredito que nesse cenário ele seria o ideal, se todos os demais abrirem espaço para o novo entrar.

*As opiniões do entrevistado são de sua inteira responsabilidade e não refletem necessariamente a opinião do Portal Novo Norte.