Coronavac está um passo atrás em relação às outras vacinas, diz cientista

A pesquisadora PhD Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão da Ciência, afirmou na tarde desta quarta-feira (18) que a Coronavac, vacina em desenvolvimento pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, está “um passo atrás” em relação às suas concorrentes.

A comparação levou em conta outras duas candidatas a vacina contra a covid19 em desenvolvimento pelas farmacêuticas americanas Pfizer e Moderna.

A declaração foi dada à jornalista Denise Campos de Toledo durante uma entrevista na rádio Jovem Pan um dia depois da publicação, na revista científica The Lancet, dos resultados das fases de testes 1 e 2 feitos na China.

A pesquisadora esclareceu que o percentual de 97% indicado no estudo publicado na The Lancet refere-se à produção de anticorpos na fase 2 e nada tem a ver com a eficácia da vacina chinesa. “Este resultado foi que 97% dos voluntários da fase 2, não na fase 3, conseguiram produzir anticorpos. É um bom sinal”, disse, acrescentando que a vacina é promissora mas ainda não mostrou nenhum resultado de eficácia”, disse.

“Não tem nada a ver com a taxa de proteção que isso confere, que é medida na fase 3 com milhares de pessoas divididas em dois grupos: o grupo vacinado e o grupo placebo. Foi isso que a Moderna e a Pfizer apresentaram agora. A Coronavac está desenvolvendo essa fase 3 mas ainda não apresentou nenhum resultado” complementou.

As principais diferenças entre as fases de testes das vacina estão no número de voluntários e no objetivo de cada fase. A fase 1 visa testar segurança e potência, sendo testada em alguns poucos voluntários sadios. Na fase 2, ocorre a expansão desses dados de segurança em número pouco maior de pessoas. E a fase 3 é o estudo de eficácia com número grande participantes. Nessas vacinas contra covid-19, tipicamente um número de 30 a 60 mil candidatos participam da fase 3.

A Coronavac tem como garoto propaganda o governador de São Paulo, João Doria, que no mês passado tentou convencer o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, a comprar milhões de doses da vacina, mesmo ainda sem comprovação científica de sua eficácia.

Outra frente liderada por Dória é a articulação com parlamentares e partidos de oposição que levaram a questão ao STF com o objetivo de conseguir uma decisão judicial que obrigue o Governo Federal a comprar doses da vacina ainda antes da certeza de sua eficácia.