Após tuíte sobre rede 5G livre de espionagem da China, ditadura chinesa ameaça parlamentar brasileiro

Embaixador da China no Brasil

A Embaixada da China no Brasil divulgou nesta terça-feira (24) uma extensa nota em seu perfil do Twitter repudiando uma publicação do deputado federal brasileiro Eduardo Bolsonaro na mesma rede social.

A publicação do deputado celebrava o apoio do governo à aliança lançada pelos Estados Unidos para a adoção de “um 5G seguro, sem espionagem da China”. Na noite do mesmo dia, Eduardo Bolsonaro apagou a postagem.

O tuíte irritou autoridades da ditadura chinesa, que mandou recado ao parlamentar brasileiro. “Instamos essas personalidades a deixar de seguir a retórica da extrema direita norte-americana, cessar as desinformações e calúnias sobre a China”, disse a nota. “Caso contrário, vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”, completou.

Não é a primeira vez que a Embaixada da China tenta suprimir a liberdade de expressão de parlamentares brasileiros. Em maio de 2020, após a eleição da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, a diplomacia chinesa enviou carta à Camara dos Deputados pedindo que os parlamentares brasileiros não felicitassem a presidente eleita e nem participassem de sua posse.

“Seria muito agradecido se a Câmara […] pudesse tomar as medidas necessárias e preventivas com vistas a conscientizar os deputados da sensibilidade da questão de Taiwan, evitar gestos ou atitudes que possam ser prejudiciais ao princípio de ‘Uma só China’, como participar da posse referida, mandar mensagens de felicitação às autoridades de Taiwan, ou manter contatos oficiais com estas”, disse a carta.

A China não reconhece Taiwan como um país independente.