Bolsonaro e o PSL

Nessa semana o Presidente Bolsonaro deu sinais de que iria sair do PSL, partido pelo qual se elegeu. Em várias votações, os membros do PSL votaram contra os interesses do Presidente da República, causando grandes desconfortos do executivo e seus ministros. A pergunta que se fazia era: como o partido do próprio Presidente vota contra os projetos que ele envia para a Câmara dos Deputados?

É realmente de se estranhar esses votos. Esse tipo de atitude não é entendida pela maioria da população. Quais problemas Bolsonaro e seus seguidores políticos poderiam enfrentar caso levassem adiante o plano de sair do partido? Congressistas e especialistas em direito eleitoral indicam três pontos: 1 – A relação do governo com o Congresso ficaria ainda mais tumultuada; pois o PSL é dono da segunda maior bancada e, obviamente, se a relação já não é boa tendo o Presidente da República no partido, imagine fora dele. 2 – Os deputados que saíssem do PSL poderiam perder seus mandatos na Justiça Eleitoral; e o PSL ficaria, a princípio, com os montantes dos fundos Partidário e Eleitoral, ou seja, os deputados sairiam do partido, mas não levariam com eles o direito ao fundo partidário, o dinheiro ao qual o partido tem direito por lei. 3 – Os deputados, mesmo se filiando a outros partidos, não levariam o direito ao tempo de televisão e rádio, que também o partido tem direito para as campanhas eleitorais.

Enfim a saída do Presidente Bolsonaro e dos deputados que o acompanhariam, só iria tumultuar mais ainda o que já está bastante tumultuado, ou seja, a relação do executivo nacional com os deputados federais, atrasando ou impondo novas condições nas aprovações dos projetos que possam beneficiar a população. Mais uma vez, eles matam o pato, temperam o pato, assam o pato, degustam o pato, mas que paga o pato é o povo.

Assista em vídeo:

Carlos Manhanelli

Mestre em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo. Fundador e Presidente da ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos), atua na área de consultoria em comunicação política e marketing eleitoral desde 1974 coordenando várias campanhas no Brasil, na América Latina e África (298 jobs políticos).