Acadêmicos do curso de Engenharia Elétrica do Centro Universitário Católica do Tocantins (UniCatólica) desenvolveram um protótipo de mochila de assistência a pessoas com deficiência visual, equipado com sensores capazes de identificar obstáculos, que busca facilitar a mobilidade dos usuários no dia a dia.
O projeto, denominado Spider Sense (Sentido Aranha), foi idealizado por estudantes do 8º período na disciplina de Automação, Controle e Instrumentação, sob orientação do professor Me. Roger Akio Kitamura. A iniciativa surgiu de uma vivência em sala de aula, quando um dos estudantes compartilhou a realidade de um familiar com deficiência visual. A partir desse relato, o projeto ganhou direcionamento, estabelecendo como objetivo central promover mais autonomia e segurança nos deslocamentos e nas atividades cotidianas dessas pessoas.
A proposta despertou grande interesse entre os estudantes, que se mobilizaram para viabilizar o projeto com recursos financeiros e operacionais próprios. O protótipo foi confeccionado utilizando uma mochila, um Arduino Uno R3, dois sensores ultrassônicos, dois motores de vibração (vibracall), baterias de 9V, entre outros componentes.
“Quando a pessoa com deficiência visual se aproxima de um obstáculo, a mochila alerta com um sinal de vibração para orientá-la em relação ao caminho que ela deve seguir corretamente”, descreveu o estudante Sidirley da Cunha Sousa, integrante da equipe desenvolvedora do projeto.
Apresentação à comunidade
Em uma iniciativa voltada para aproximar o projeto da realidade das pessoas com deficiência visual, a equipe promoveu uma demonstração prática no Laboratório de Aprendizagem do UniCatólica junto à Associação dos Deficientes Visuais do Estado do Tocantins (ADVETO). O encontro, que ocorreu na última sexta-feira (05), contou com a participação do Dr. Euler Rui Barbosa Tavares, vice-presidente da Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB/TO e presidente da ADVETO.
Durante a atividade, o Dr. Euler compartilhou sua trajetória como pessoa com deficiência visual e relatou as barreiras de acessibilidade que vivencia. A escuta ativa possibilitou aos estudantes coletarem contribuições diretas para o aprimoramento do protótipo.
“Acredito que esse projeto pode se tornar relevante na universidade porque contribui para o ensino, para a pesquisa e extensão. Fizemos todo um teste aqui no campus do UniCatólica e constatamos que, realmente, ele contribui para a nossa acessibilidade e locomoção”, relatou o Dr. Euler.
Para Roger, orientador do projeto, a perspectiva de quem convive com essas demandas diariamente é fundamental. “Essa opinião é de grande valor para que possamos validar a ideia e implementar futuramente melhorias ao projeto, sondar o mercado para buscar produtos similares e a possibilidade de apresentar um produto funcional e acessível”, destacou o orientador do projeto.
A psicopedagoga Magna Souza, do Núcleo de Inclusão, Diversidade e Apoio Psicopedagógico – Dialogus, reforçou a importância de a iniciativa nascer dentro do centro universitário: “Projetos de pesquisa e extensão que promovem acessibilidade são
fundamentais para aproximar a universidade das reais necessidades da sociedade. Iniciativas como a mochila com sensores desenvolvida pelos alunos da Engenharia, que detecta barreiras para pessoas com deficiência visual, mostram como a inovação pode transformar vidas ao oferecer mais autonomia, segurança e inclusão. Além de estimular soluções tecnológicas, esses projetos fortalecem a formação dos estudantes, promovem empatia, responsabilidade social e o compromisso com um mundo mais acessível para todos”.
Próximos passos
O Projeto Spider Sense seguirá em fase de aperfeiçoamento, incorporando as sugestões recebidas para que, futuramente, possa ser lançado e disponibilizado à comunidade.
A equipe responsável pelo desenvolvimento é composta pelos acadêmicos: Alexandre Bezerra Araújo, Anísio Daniel Carvalho, Antonio Frederico Nery, Carlos Eduardo da Silva Gaspar, Luan de Oliveira Ramos, Sidirley da Cunha Sousa e Thiago Pires de Morais.