
O número de venezuelanos que buscam refúgio da crise humanitária e da ditadura de Nicolás Maduro e acabam integrados ao Bolsa Família atingiu a marca de 205.526 beneficiários em setembro de 2025. Esse contingente representa uma explosão estatística, considerando que, no final de 2017, apenas 1.062 cidadãos do país vizinho recebiam o auxílio. Hoje, a Venezuela lidera isolada o ranking de estrangeiros assistidos, compondo 61% do total de 331 mil beneficiários de outras nacionalidades.
A dependência de recursos públicos brasileiros é alta entre esses imigrantes, já que aproximadamente um em cada três venezuelanos residentes no Brasil recebe o benefício. O Ministério do Desenvolvimento Social esclarece que a inclusão de estrangeiros é permitida desde a fundação do programa, em 2003, abrangendo tanto quem imigra por vontade própria quanto refugiados forçados a fugir de "violações graves de direitos humanos". Atualmente, o Brasil abriga cerca de 582 mil residentes vindos da nação vizinha.
Para garantir o pagamento, o governo exige que o responsável pela família comprove baixa renda e apresente documentos como CPF ou título de eleitor. O critério de entrada é puramente financeiro, sendo necessário estar no Cadastro Único e ter renda por pessoa de até R$ 218 mensais. Casos emblemáticos, como o de 15 famílias indígenas da etnia Warao que vivem em uma antiga escola em Maceió, mostram que o suporte inclui ainda outros auxílios, como o vale-gás.
Apesar do volume expressivo de venezuelanos, o cenário geral do programa registrou uma leve retração recente. O total de beneficiários vindos da Venezuela caiu 6% entre dezembro de 2024 e setembro de 2025, acompanhando uma limpeza nacional que reduziu o número de assistidos de 20,5 milhões para 19 milhões de pessoas. Mesmo assim, o fluxo migratório iniciado em 2018 pela Operação Acolhida consolidou a Venezuela como a principal demandante de recursos sociais no território brasileiro.
Com informações do Uol.