
O ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez um alerta gravíssimo sobre a integridade física de Jair Bolsonaro, que está sob custódia da Polícia Federal. Segundo o médico, as condições atuais de detenção, somadas ao histórico clínico do ex-presidente que sofre de apnéia do sono, elevam drasticamente as chances de eventos fatais, como infarto agudo do miocárdio ou morte súbita. Queiroga enfatizou que o Estado brasileiro tem a obrigação constitucional de garantir assistência adequada e dignidade a qualquer cidadão preso.
A preocupação aumentou após um acidente na cela, onde Bolsonaro sofreu uma queda e bateu a cabeça. O fato mais alarmante é que os agentes da PF só notaram o ocorrido no dia seguinte, quando a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, chegou para uma visita. Para Queiroga, essa falha de monitoramento é inaceitável, especialmente considerando que o ex-mandatário tem 70 anos e apresenta comorbidades graves, como apneia do sono e doenças nas artérias.
O ex-ministro criticou duramente a conduta do Judiciário e o atendimento médico inicial na carceragem. Ele explicou que, em casos de batida na cabeça, protocolos internacionais exigem exames de imagem imediatos para evitar coágulos cerebrais. Queiroga mencionou que o ministro Alexandre de Moraes demorou mais de um dia para autorizar a ida de Bolsonaro ao hospital, comparando a situação a uma perseguição política que ignora normas básicas de saúde e segurança.
Durante a análise técnica, o médico pontuou que o isolamento e o estresse da prisão agravam distúrbios cardiovasculares. Ele afirmou que o ex-presidente não pode ser atendido por profissionais que ajam como agentes prisionais disfarçados de médicos, mas sim por especialistas que respeitem a ética profissional. O ex-ministro reiterou que o cenário é de opressão institucional, citando que nem no período militar houve tamanha interferência em conselhos de classe para barrar investigações éticas.
Queiroga defendeu a concessão de prisão domiciliar para Bolsonaro como uma medida de bom senso e humanidade. Ele destacou que outros ex-presidentes, como Lula e Fernando Collor, tiveram condições de custódia diferenciadas ou regimes humanitários. Para o especialista, a manutenção do atual cenário é uma "justiça que não pacifica" e coloca o Brasil em uma trajetória perigosa de desrespeito aos direitos fundamentais e à preservação da vida.