
A Justiça de Minas Gerais desarticulou um esquema de corrupção que transformou a prefeitura de Leandro Ferreira em um negócio de família. O atual prefeito, Nivaldo Rodrigues, foi condenado por fraudar um concurso público e processos de contratação. A decisão da juíza Rachel Cristina Silva Viegas aponta que a administração municipal manipulou resultados para beneficiar diretamente parentes e aliados políticos.
O Ministério Público estadual revelou que o concurso, realizado originalmente para regularizar a situação dos funcionários, virou uma ferramenta de favorecimento. Segundo as investigações, o certame foi desenhado para garantir cargos a pessoas próximas ao prefeito, incluindo seu próprio filho e nora. A magistrada destacou que houve um esforço deliberado para burlar a lei e ignorar a meritocracia no serviço público.
Testemunhas trouxeram detalhes vergonhosos sobre o dia da prova. Relatos indicam que um grupo privilegiado de candidatos teve acesso antecipado às questões e recebeu as respostas corretas durante o exame. Além disso, as notas de avaliações práticas teriam sido adulteradas para garantir a aprovação dos "escolhidos". A situação ficou insustentável quando denúncias de manipulação direta começaram a surgir logo após a aplicação.
Um dos casos mais escandalosos citados no processo envolve o filho do prefeito. Mesmo respondendo a processo criminal na época e sem cumprir as exigências básicas do cargo de motorista, ele conseguiu a segunda colocação. Outra amiga da família foi flagrada dentro da sala de aula antes mesmo dos portões abrirem, garantindo depois o primeiro lugar para o cargo de dentista.
A investigação também comprovou que a empresa organizadora do concurso não foi escolhida de forma honesta. A licitação foi montada apenas para dar uma aparência de legalidade a um processo que já estava decidido nos bastidores. Para a Justiça, toda a contratação foi uma farsa destinada a facilitar a entrada de pessoas de confiança do grupo político que detém o poder local.
A sentença atinge não apenas o prefeito, mas também empresários e outros agentes públicos envolvidos na organização das provas. O concurso acabou sendo anulado devido ao volume absurdo de irregularidades encontradas pela fiscalização. Apesar da gravidade das provas apresentadas e da condenação em primeira instância, os envolvidos ainda possuem o direito de recorrer da decisão judicial nos tribunais superiores.