
Está cheirando muito mal a decisão do Banco Central de impor sigilo total sobre as conversas e registros de reuniões entre seus diretores e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, acerca da venda do Banco Master. A negativa de acesso aos dados ocorre via Lei de Acesso à Informação solicitado pelo portal Metrópoles, impedindo que o público conheça detalhes de tratativas que envolvem altas autoridades da República e interesses bilionários no setor financeiro.
A decisão da autoridade monetária ignora a prática comum de apenas esconder dados sensíveis, optando por bloquear o conteúdo integral de mensagens e datas de encontros. O cenário se torna ainda mais nebuloso diante da informação de que o Banco Master contratou o escritório de advocacia da esposa de Moraes por cifras que ultrapassam os 100 milhões de reais, levantando questionamentos sobre a ética do processo.
Anteriormente, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, havia assegurado publicamente que todas as comunicações sobre o caso estavam devidamente documentadas e registradas. Entretanto, agora o órgão recua e afirma que não pode liberar sequer as manifestações técnicas, alegando que o conteúdo trata integralmente de dados sigilosos e empresariais, protegendo informações que deveriam ser de interesse público.
A manobra do Banco Central de fechar as portas para a transparência aumenta a sensação de que existe algo oculto na relação entre o Judiciário e o comando da economia brasileira. Enquanto o ministro e Galípolo negam pressões indevidas, o bloqueio sistemático de provas e registros apenas reforça a desconfiança popular sobre o que realmente acontece nos bastidores do poder em Brasília.