
O Conselho Federal de Medicina (CFM) reagiu com firmeza e enviou um documento direto ao ministro Alexandre de Moraes para tratar da investigação sobre a saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. No ofício, o presidente da entidade, José Hiran Gallo, garantiu que o órgão jamais tentou invadir competências da Polícia Federal ou atrapalhar ordens judiciais, mas contem "indiretas" em suas entrelinhas.
A polêmica começou quando Moraes anulou uma sindicância do CFM, classificando a ação dos médicos como ilegal. O ministro chegou a determinar que Gallo dê explicações à PF em dez dias, ignorando que o conselho agiu para verificar se houve negligência no atendimento médico ao ex-presidente.
Em uma "indireta" certeira, o CFM destacou que a instituição cumpriu a lei e não fez juizo de valor antecipado, exatamente o oposto do que Moraes é constantemente acusado de fazer. O conselho defendeu que abrir sindicâncias é um dever previsto na Constituição para assegurar que a medicina seja exercida com regularidade. O conselho reafirmou que seguiu rigorosamente os ritos administrativos, sem fazer qualquer pré-julgamento político.
A entidade revelou ainda que foi provocada por mais de 40 denúncias graves sobre a falta de suporte médico a Bolsonaro. Com os esclarecimentos prestados, o CFM defende que não existe qualquer motivo justo para a convocação de seu presidente pela Polícia Federal.