
Dez promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) pediram exoneração imediata de seus cargos neste domingo (11). A decisão extrema ocorreu após a chefia do Ministério Público do Maranhão emitir um parecer favorável à soltura de políticos e empresários presos na Operação Tântalo II. O grupo de investigadores não aceitou a interferência da Procuradoria-Geral de Justiça, que desconsiderou provas robustas de corrupção.
A revolta dos promotores baseia-se no desvio de aproximadamente R$ 56 milhões dos cofres públicos da cidade de Turilândia. Segundo os investigadores, a cúpula do órgão ignorou o trabalho técnico que comprovou um esquema criminoso envolvendo prefeitos, vereadores e empresas de fachada. Para os membros que saíram, a atitude da chefia institucional "fragiliza o combate ao crime" e destrói a credibilidade de operações complexas que visam punir poderosos.
Entre os beneficiados pelo parecer que gerou a crise estão o prefeito de Turilândia, Paulo Curió, e sua vice, que estavam presos desde o Natal. A investigação aponta que o grupo criminoso usava notas fiscais frias para saquear verbas da saúde e assistência social, distribuindo propinas até para vereadores. A decisão de soltá-los, mesmo com uso de tornozeleira, foi vista pelos promotores como um balde de água fria no combate à impunidade.
Em resposta ao racha interno, o Ministério Público tentou minimizar o impacto, tratando a saída em massa como um evento natural da administração. A instituição já nomeou um novo coordenador para ocupar a vaga deixada pelos dissidentes e prometeu seguir com os trabalhos. Enquanto isso, o clima nos bastidores é de absoluta indignação, com a percepção de que a política venceu a técnica dentro de um órgão fiscalizador.
Com informações do Metrópoles.