
O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), barrou o avanço de investigações que atingem diretamente familiares dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Ao decidir não convocar sessões parlamentares nas últimas duas semanas, o petista impediu a análise de requerimentos cruciais. A manobra trava pedidos de quebra de sigilo e convocações relacionadas ao nebuloso "Caso Master", que envolve cifras milionárias e propriedades de luxo.
Nos bastidores do Senado, parlamentares denunciam uma clara operação abafa para esfriar as denúncias e proteger figuras influentes. Entre os alvos travados pela presidência da comissão estão a esposa de Moraes, Viviane Barci, por um contrato de R$ 129 milhões, e os irmãos de Toffoli, ex-donos de um resort frequentado pelo ministro. O objetivo da oposição é apurar repasses financeiros feitos por investigados pela Polícia Federal a esses familiares.
A estratégia de paralisia utilizou como pretexto a autorização para sessões semipresenciais antes do Carnaval, permitindo que Contarato simplesmente não reunisse o colegiado. Com o comando nas mãos do PT e a presença de líderes do governo, como Randolfe Rodrigues, a comissão enfrenta um teste de fogo. Parlamentares acreditam que haverá resistência total para pautar qualquer medida que cause desconforto aos magistrados da Suprema Corte brasileira.
Até o momento, o senador Fabiano Contarato não se manifestou sobre as acusações de estar segurando os trabalhos para beneficiar terceiros. Enquanto a CPI segue sem agenda oficial, o centrão observa o cenário, podendo alterar a composição das vagas para garantir que as investigações não prosperem. O clima de incerteza paira sobre o Senado, onde o suposto esquema de proteção política parece falar mais alto que a busca pela verdade.