
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, admitiu oficialmente ser sócio da empresa Maridt Participações, após a Polícia Federal enviar documentos comprometedores ao gabinete do ministro Edson Fachin. O relatório policial detalha mensagens entre Toffoli e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As evidências colhidas seriam suficientes para fundamentar o afastamento imediato do magistrado da relatoria de processos que envolvem o banco. As informações foram publicadas no portal Metrópoles.
A situação ganha contornos de escândalo devido às condições da sede da empresa em Marília, interior de São Paulo. Embora Toffoli garanta que os lucros recebidos são lícitos e declarados, o endereço oficial da companhia é uma residência em péssimo estado de conservação. Estranhamente, a empresa declarou ao Fisco um capital social de meros 150 reais, valor totalmente incompatível com a participação em empreendimentos de luxo.
A gestão do negócio está formalmente nas mãos dos irmãos do magistrado, mas a própria família demonstra desconhecimento sobre as operações. Em visita ao local, a esposa de um dos administradores afirmou não saber nada sobre as atividades da empresa ou o envolvimento do marido em grandes resorts. Toffoli se defende alegando que a lei permite a juízes serem sócios de empresas, desde que não administrem o negócio.
Nos bastidores do Judiciário, a pressão aumenta após a confirmação de que os pagamentos mencionados em conversas com o empresário mineiro estariam ligados a essa empresa de fachada. A PF agora aponta que o vínculo financeiro direto entre o julgador e o dono do banco coloca em xeque a imparcialidade da Corte. O destino de Toffoli depende da análise de Fachin sobre o material enviado pela polícia.