Quarta, 11 de Março de 2026
22°C 31°C
Palmas, TO

A “Turma”: Polícia Federal detalha atuação de grupo de jagunços comando por Daniel Vorcaro

A organização contava com recursos milionários e tecnologia de espionagem para intimidar autoridades e jornalistas.

Pablo Carvalho
Por: Pablo Carvalho
04/03/2026 às 11h06
A “Turma”: Polícia Federal detalha atuação de grupo de jagunços comando por Daniel Vorcaro

Um relatório da Polícia Federal revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantinha uma estrutura de "jagunços" modernos para perseguir desafetos. Esse grupo, apelidado internamente de "A Turma", funcionava como uma milícia privada dedicada a monitorar, ameaçar e agredir quem cruzasse o caminho do empresário. A organização contava com recursos milionários e tecnologia de espionagem para intimidar autoridades e jornalistas.

A unidade de repressão era liderada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido no submundo pelo apelido de "Sicário". Sob as ordens diretas de Vorcaro, Mourão coordenava uma rede de informantes e executores encarregados de "moer" adversários. O termo era usado com frequência em mensagens interceptadas para descrever a destruição da reputação e da integridade física de ex-funcionários e críticos do banco.

Em um dos diálogos mais brutais registrados pela investigação, Daniel Vorcaro ordena explicitamente uma agressão física contra um jornalista que o incomodava. O banqueiro instruiu seus jagunços a simularem um assalto para espancar a vítima, com a orientação específica de quebrar os dentes do profissional. O objetivo era silenciar as denúncias sobre as práticas irregulares do Banco Master por meio do medo e da dor.

A agressividade do grupo também se voltava contra mulheres que possuíam informações sensíveis sobre os negócios do banqueiro. Ao suspeitar que uma ex-colaboradora poderia denunciá-lo, Vorcaro acionou a "Turma" para realizar um levantamento completo da rotina dela. Ele exigiu que seus homens localizassem o endereço e os hábitos da vítima para que ela fosse devidamente intimidada e impedida de falar com as autoridades.

Para garantir a eficiência da milícia, o esquema contava com o apoio logístico de Fabiano Campos Zettel, responsável por movimentar os pagamentos secretos. Cerca de R$ 1 milhão era destinado mensalmente para sustentar essa rede de perseguição. O dinheiro financiava desde a compra de equipamentos de vigilância até o pagamento de subornos para a remoção de conteúdos negativos na internet, blindando a imagem do grupo.

Os jagunços de Vorcaro não se limitavam à violência física, utilizando também técnicas de espionagem cibernética de alta complexidade. O relatório da PF aponta que o grupo invadiu sistemas sigilosos de órgãos de segurança para obter dados privados de seus alvos. Com acesso a informações de inteligência, os criminosos sabiam os passos de seus inimigos antes mesmo de qualquer ação oficial, garantindo impunidade aos atos da "Turma".

A atuação desses jagunços modernos transformou o Banco Master em um centro de operações que extrapolava qualquer limite legal. A Polícia Federal destaca que a submissão desses homens à vontade de Vorcaro criou um ambiente de terror institucionalizado. Agora, com a Operação Compliance Zero, as autoridades buscam desmantelar de vez esse exército particular que usava o dinheiro do sistema financeiro para espalhar a violência.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lenium - Criar site de notícias