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Servidores do BC usavam cargos para orientar Daniel Vorcaro e vazar informações sigilosas

A Polícia Federal investiga se a dupla recebia vantagens indevidas para beneficiar a instituição.

Pablo Carvalho
Por: Pablo Carvalho
04/03/2026 às 11h52
Servidores do BC usavam cargos para orientar Daniel Vorcaro e vazar informações sigilosas

O ministro André Mendonça, do STF, determinou o afastamento imediato de dois servidores de carreira do Banco Central suspeitos de atuar como braços direitos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento, são alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal investiga se a dupla recebia vantagens indevidas para beneficiar a instituição.

Segundo a investigação, os funcionários públicos agiam como verdadeiros consultores privados dentro da autoridade monetária. Eles são acusados de vazar informações estratégicas para que Vorcaro se antecipasse a medidas do órgão, além de revisarem documentos que o próprio banco enviaria para fiscalização. O esquema envolveria o uso de influência interna para contornar exigências regulatórias e garantir que o Banco Master evitasse punições antes de sua liquidação.

A decisão judicial impõe medidas severas aos investigados, que agora são obrigados a usar tornozeleira eletrônica e estão proibidos de acessar as dependências do Banco Central. Além do afastamento das funções públicas, Mendonça determinou a apreensão dos passaportes e a proibição de contato com os demais envolvidos no caso. As provas apontam que a propina era paga por meio de contratos simulados e triangulações com terceiros para ocultar o crime.

O caso ganhou força após o próprio Banco Central enviar dados de uma sindicância interna para a Polícia Federal. Embora os servidores já estivessem afastados administrativamente desde o início do ano, a nova ordem judicial formaliza a restrição no âmbito criminal. Enquanto isso, o banqueiro Daniel Vorcaro permanece preso em uma operação que já soma bloqueios de bens na casa dos R$ 22 bilhões por fraudes e corrupção.

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